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historia de michele ferrero

O imperador do chocolate

É discreto, misterioso e obcecado pela perfeição: criou as drageias Tic Tac com 60 camadas de ingredientes para que o sabor mude à medida que se vão derretendo na boca e esteve cinco anos trabalhar em segredo na fórmula ideal para os Ferrero Rocher.

Michele Ferrero estranhava a reacção das crianças sempre que recebiam ovos de Páscoa em vez de devorar o chocolate, a maioria lançava-se à procura das surpresas que vinham junto com o presente. Foi aí que o filho do fundador do grupo Ferrero descobriu a ideia para um novo produto, que se viria a tornar num dos maiores sucessos de venda do grupo: o ovo de chocolate com um brinde lá dentro. Nascia assim a gama Kinder, com a qual, dizia ele, as crianças podiam repetir a Páscoa todos os dias do ano.

Esta é apenas uma das muitas invenções que Michele Ferrero tem assinado no grupo Ferrero, uma das maiores empresas chocolateiras do mundo. Aos 84 anos, ele ainda é a grande figura do império e continua a ter a última palavra cada vez que é preciso tomar uma decisão mais importante sobre um novo produto ou fechar um negócio. Nem que para isso tenha de abandonar a vila onde vive, em Monte Carlo, e descer no seu helicóptero privado até Alba, em Itália, onde a Ferrero mantém a sede desde os anos 40.

Os dois filhos também já participam na gestão do império, apesar de se terem iniciado em carreiras afastadas dos chocolates: Pietro, o mais velho, era um ciclista dotado, e Giovanni tornou-se um escritor de novelas. Mas a pressão familiar foi mais forte e, há 12 anos, os herdeiros de Michele Ferrero trocaram as vocações desportivas e artísticas por um lugar na administração do grupo Ferrero, para assim garantirem a continuidade de um dos maiores grupos de chocolates do mundo.

Este ano, a revista Forbes considerou-o o italiano mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 6,2 mil milhões de euros. E o seu império poderá aumentar em breve, se avançar com a compra de Cadbury, outro gigante dos chocolates, por cerca de 16 mil milhões de euros. A concretizar-se, será a primeira aquisição na história da Ferrero.

Apesar da fortuna, Michele distingue-se dos típicos milionários italianos, como os Agnelli ou os Benetton. O criador dos ovos Kinder, dos bombons Mon Chéri e Ferrero Rocher prefere uma vida discreta. Por isso, sai pouco, não dá entrevistas e, até agora, escapou aos três principais sinais de riqueza do homem de negócios italiano: ter um iate, um clube de futebol e influência política. Já este ano correu o rumor de que iria comprar o clube de futebol AC Milan, mas a possibilidade foi logo desmentida.

Em Itália chamam-lhe o Willy Wonka (a personagem principal do filme Charlie e a fábrica de Chocolate). Para essa imagem de criador misterioso e obsessivo, contribui o empenho para chegar a produtos como Ferrero Rocher: conta-se que, durante cinco anos, viveu obcecado a perseguir a fórmula para conseguir que os pedaços de bolacha waffer aderissem na perfeição à avelã e ao chocolate, o coração do mais famoso bom-bom do grupo.

O respeito pelo segredo nos negócios está no sangue da família. Já o pai, Pietro Ferrero, e o tio Giovanni, nunca revelaram a receita que está na base da Nutella, o creme de avelãs que deu origem ao império chocolateiro.

Pietro Ferrero, nascido em 1898, começou a trabalhar como pasteleiro e abriu a sua primeira loja em Turim. O negócio corria, mas foi com a II Guerra Mundial que ele descobriu como dar o grande salto.

A crise económica fazia disparar o preço de muitos ingredientes, como o cacau, encarecendo os produtos de pastelaria. Pietro decidiu criar a gianduja, uma pasta de chocolate com pouco chocolate e muito creme de avelã bastante mais barato que o cacau. No fim de 1946, a empresa já tinha 50 empregados e o sucesso do creme foi tal que foi necessário contratar agricultores da região para garantir o fornecimento e a qualidade das avelãs. No fim da década tinha uma frota de veículos só para distribuir a gianduja que mais tarde ganhou o nome Nutella.

O filho Michele nasceu em 1925.Aos 20 anos já estava na empresa e aos 32 assumiu a liderança do império que, ainda na década de 50, abriu sucursais na Alemanha e em F rança. Hoje, a Ferrero tem 21.600 funcionários e 18 sucursais no mundo inteiro.

As poucas pessoas que privam com o patriarca dos Ferrero garantem que é tímido e reservado, mas com uma habilidade única para os negócios. Domenico Siniscalco, ex-ministro de Berlusconi, que o conhece desde sempre (as famílias vizinhas em Alba) descreve-o como “um dos melhores empresários italianos. Tem as características de um génio no produto e no marketing”, disse ao jornal Financial Times.

Mesmo já com 84 anos, Michele Ferrero não abrandou a criatividade. A sua última criação chama-se Grand Soleil e foi concebido para mercados como África, China ou Índia: trata-se de uma pasta com sabor a limão, que se conserva à temperatura ambiente e que, depois de levada ao congelador e mexida, ganha uma consistência de gelado. O criador não tem dúvidas: “Daqui a 50 anos será tão grande como a Nutella”.

A aposta na comunicação é constante. No Reino Unido, graças a uma campanha publicitária, os bombons Ferrero Rocher passaram a ser associados às recepções nas embaixadas. E, para reforçar a imagem de qualidade, a empresa faz questão de anunciar que os retira, como faz com os Mon Chéri, do mercado no período mais quente do ano, para não se deteriorarem, e só os repõem no Outono.

O sucesso mundial dos bombons também os tornou um dos produtos mais imitados, sobretudo na China — as imitações chegaram a ser vendidas nos aeroportos, lado a lado com os originais. A luta em defesa dos artigos genuínos teve uma vitória importante, em 2008, quando o grupo ganhou o processo contra a empresa que fabricava cópias de Ferrero Rocher. Mas, nas restantes gamas, o público chinês continua a consumir imitações e originais.

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